O sistema da arte de São Paulo/São Paulo Art System

 

 

O processo de transformação da arte ao longo do século passado produziu uma série de novas demandas que tornaram o sistema da arte cada vez mais complexo. Foram introduzidos novos agentes (curadorxs, cenógrafxs, designers, gestorxs, produtorxs), novos públicos, novos formatos organizativos e circuitos (coletivos de arte, redes de colaboração, espaços e iniciativas de arte independentes, instituições privadas como o SESC, residências artísticas, centros culturais ligados à grandes corporações) e novas empresas para atender aos artistas, às organizações artístico-culturais e ao público da arte (galerias e feiras comerciais, fornecedores de materiais, gráficas, escolas de arte, agências e meios de comunicação, redes sociais).

Hoje é possível identificar 3 grandes circuitos dentro do sistema da arte de São Paulo – responsáveis por produzir ou fomentar a produção da grande maioria das atividades e conteúdos – com propostas, ou prioridades, distintas e complementares: o institucional, o comercial e o independente. Importante observar que os 3 grandes circuitos não estão isolados: além da circulação dos mais diversos agentes da arte de um circuito para outro, as relações de parceria entre organizações e iniciativas coletivas dos diferentes circuitos são cada vez mais frequentes.

Com relação ao circuito independente, cabe ressaltar sua heterogeneidade, se comparada com a dos outros circuitos, proveniente justamente de seu caráter verdadeiramente libertário e experimental, comprometido com a produção artística em si, dentro do entendimento e de acordo com as intenções de seus artistas-gestores*.

O circuito institucional é caracterizado por equipamentos de médio e grande porte – tais como museus e centros e espaços culturais -, de acesso público, cujas gestões assumem compromissos com a sociedade como um todo, em toda sua pluralidade, o que frequentemente significa não só atribuir uma função social para a arte, mas também delimitar a autonomia do artista e, em última instância, da arte. Quando não são públicos, em geral são geridos por organizações não governamentais (ONGs) e associações sem fins lucrativos. Seja a gestão pública ou privada, não é incomum que seus integrantes desconheçam o funcionamento do sistema da arte e a realidade da vida de um artista.

No que diz respeito à origem dos recursos, estes equipamentos podem ser públicos, privados, público-privados e privado-públicos. Em São Paulo e outras grandes cidades brasileiras, no caso de equipamentos público-privados ou privado-públicos[1], em geral patrocinados e gerenciados por bancos e companhias telefônicas, aos interesses da sociedade somam-se interesses privados, ou seja, a construção de potentes campanhas de marketing cultural.

O circuito comercial é formado por todas as empresas que tem como finalidade principal comercializar obras de arte e gerar lucro, isto é, galerias físicas e virtuais, feiras, escritórios de arte, marchands, dentre outros.

O circuito independente é composto por equipamentos de pequeno e médio porte – tais como espaços de arte, centros culturais, editoras e publicações de arte -, sem fins lucrativos e privados porém, em geral, de acesso público. Comumente tocados por artistas ou outros agentes da arte – tal como curadorxs, pesquisadorxs, educadorxs, críticxs de arte, dentre outros -, mantém compromisso com a livre produção e reflexão em torno da arte, atendendo às agendas, interesses e intenções de seus gestorxs. Além dos equipamentos, isto é, das iniciativas que dispõem de uma sede, uma variedade de outras iniciativas coletivas integram a cena de arte independente.

 * Ou curadorxs-gestorxs, críticos-gestorxs, educadorxs-getorxs, pesquisadorxs-gestorxs, dentre outros.